Um olhar demorado.

 
Procurando por: amizade, entretenimento
Registro: 04/07/2019
Faça ondas, assopre chamas, dê calafrios"...
Pontos127Mais
Próximo nível: 
Pontos necessários: 73
Último jogo

Sonho, logo venço!

17/02/2020       


Por José Silveira


Diz Gandhi: “Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”. Afinal, qual é o segredo de vencer, de ser bem sucedido, de sair vitorioso nas batalhas da vida?

Sylvester Stallone


stallone e cachorro.jpg


Sylvester Stallone nasceu com uma paralisia facial o que lhe rendeu apelidos e bullying na infância. Na fase adulta, estava tão pobre que roubou as poucas joias que sua mulher tinha e as vendeu.

Nesse período, Stallone protagonizou o filme erótico de baixo orçamento “O Garanhão Italiano” (1970). Trabalho pelo qual ganhou duzentos dólares por dois dias de filmagem. “Eu estava morrendo de fome quando fiz [o filme], eu estava desesperado. Você sabe que quando está com fome faz coisas que não faria normalmente”.

As coisas ficaram tão ruins que ele acabou morando na rua. Stallone dormiu na estação de ônibus de Nova York por três dias. Incapaz de pagar aluguel ou comprar comida. O fundo do poço chegou quando ele teve de vender seu cachorro em uma loja de bebida para um estranho qualquer, pois não tinha dinheiro para alimentá-lo. Ele o vendeu por vinte e cinco dólares, entregou seu cachorro e saiu chorando.

Duas semanas depois, ele viu uma luta de boxe entre o legendário Mohammed Ali e Chuck Wepner. Essa luta o inspirou a escrever o roteiro de Rocky. Stallone escreveu o roteiro durante 20 horas seguidas. Tentou vendê-lo e recebeu a oferta de 125 mil dólares, mas ele fez apenas um pedido: ele queria estrelar o filme como o personagem principal Rocky. No entanto, o estúdio disse não. Eles queriam uma “estrela” de verdade.

Disseram que ele “tinha um rosto engraçado e falava engraçado”. Ele saiu com seu roteiro. Depois de algumas semanas o estúdio ofereceu 250 mil dólares, novamente ele recusou. Então ofereceram 350 mil dólares. Ele recusou novamente. Queriam o seu filme, mas não o queriam. Ele disse não! “Eu tenho que estar nesse filme”. Depois de um tempo, o estúdio concordou em lhe dar 35 mil dólares pelo roteiro e o deixaram estrelar o filme. O resto entrou para a história do cinema.

O filme ganhou inúmeros prêmios: melhor direção, melhor edição e o prestigioso Oscar de melhor filme. Stallone ainda recebeu de melhor ator.

O filme Rocky entrou para os registros americanos da indústria de cinema como um dos maiores filmes até então feitos.

Stallone comprou de volta o cachorro amado, seu melhor amigo e confidente. Stallone esperou na loja de bebidas por 3 dias até que o homem voltasse com seu cachorro. O homem recusou vender o cachorro por 100, 500 e 1000 dólares. Stallone pagou 15 mil dólares pelo mesmo cachorro que ele vendera por 25 dólares. O mesmo Stallone que morou na rua, vendeu seu cachorro, pois não podia alimentá-lo é hoje um dos maiores ícones do cinema mundial.


Maledicência, vulgarmente conhecida como fofoca.

14/02/2020       


girl-2436545_1920.jpg

Todos temos defeitos e virtudes, estamos em aprendizado, em constante processo evolutivo. A vida é uma escola em que todos estamos errando e aprendendo, caindo e levantando, aqui não existem pessoas incólumes, todos somos seres humanos em sua complexidade; lado luz e lado sombra. Neste viés não faz nenhum sentido viver apontando o defeito e falhas dos outros enquanto sequer foram trabalhadas as próprias. É preciso ter autodiscernimento de que para cada um de nós é necessário muito trabalho, dedicação e principalmente boa vontade para trabalhar a própria evolução ao invés de observar e criticar a vida de outrem. Mas infelizmente nem todos atingiram este grau de conscientização e aqui reitero mais uma vez que não é um processo fácil estar nesta escola chamada vida.

Para refletir:

Primeiro organize sua casa interna para depois querer podar as ervas daninhas do jardim do outro.


Soraya Rodrigues.





A onde chega a carência e a falta de amor proprio do ser humano!

04/02/2020       


Andei observando que tem pessoas, ou pessoa que envia gifs (Presentes) pra ela mesma, mostrando que esta preocupada, ou mensagem de carinho, como se alguém estivesse enviando os gifs, mas no fundo é a propria quem manda...Não sei se é pq se sente carente devido a falta de atenção por parte das pessoas ou é para mostrar para essas mesmas pessoas que ela esta sendo lembranda, acarinhada...etc e tal.
É tão sem noção isso, que a pessoa nem disfarça e se preocupa em mudar o jeito de digitar...Cada um tem seu jeitinho propria de colocar as palavras, então logo se percebe facilmente quem é quem, mesmo que esteja no anonimato ou escondido atrás de um perfil fake.
Dica para vc ou vcs que querem enganar os outros, tenha mais criatividade e mude pelo menos a forma de escrever...

Não que eu tenha a ver com isso, foi só uma observação...hehehe.

Fica a dica! 

Bj


Mil e Uma Razão...

30/01/2020       


Havia uma cidadezinha, onde todos pareciam se "entender" razoavelmente bem!
Tinham lá suas opiniões diferenciadas, mas de certo modo, se suportavam!
Até que um certo dia, chegou a cidade uma senhora, toda cheia de impáfia, se titulando a "Razão" !
"Meus senhores e senhoras, eu sou a dona razão, e tudo quanto eu disser não será contestado, pois o que digo é a verdade, e vós tens que acatar ou ao menos respeitar as minhas razões!" 
Visto isso, ouve um burburinho na pequena cidade, onde todos tinham lá suas opiniões, mas aceitavam as do vizinho. 
Ficaram todos indignados por uma forasteira chegar sem mais nem menos e querer impor as suas regras!
E cada qual se sentiu no direito de se rebelar contra essa tal dona, em prol de todos. E ao tomar partido de um todo, todos queriam bater de frente com a tal razão! E em vez de lutarem por um único objeto, o direito de todos terem razão, cada um queria mostrar que a sua razã era a mais certa, a mais válida e que portanto ele teria que ser ouvido, aceito e obedecido.
Ouve então um tremendo tumulto na praça da cidade, todos queriam ter a suas razões, seus motivos baseados na suas verdades, nas suas certezas, e no seu merecimento por ser alguém melhor, ou mais inteligente, talvez o mais bom que sempre promoveu a paz, nunca fez discordia ou julgou mal ao seu próximo! Tem aquele também que sempre foi amigos de todos, não faz "motim",  não fica em rodinhas, não dá ouvido as fofocas, pensa por si só, não anda pela cabeça dos outros, é integro, é humilde...
E tantos outros com seus variados motivos para serem os donos da Razão!
E todos gritavam em praça publica em alto e bom tom : "Eu tenho mais direto de ter razão!" 
O outro : "Eu tenho mais motivos para ser dado crédito as minhas razões!
Do outro lado : As minhas razões são as mais certas" Do lado de cá: " Eu não aceito outras razões que não sejam as minhas!" 
Do lado de lá: "As minhas razões são as mais justas e coerentes!"
E aqueles que eram a favor de acabar com a cidade, assim ninguém teria mais o direito de ser o dono da Razão!
E ninguém ouvia ninguém! 
Ninguém respeitava ninguém!
Ninguém entendia ninguém!
Todos queriam ser ouvidos!
Aceitos! 
Compreendidos!
Todos tinham sua razões!
Todas elas de mil formas diferentes...
E foram tantos os direitos e verdades de cada um, que a verdadeira Razão saiu de fininho e preferiu se isolar numa ilha...

Moral da história : A Razão tem razões que a própria razão desconhece!

O mundo mudou...

29/01/2020       


Sim, o mundo realmente mudou. E apesar de não ter o relatório na minha mesa, apostaria um braço como nunca se vendeu tanto livro de autoajuda, como nunca precisamos tanto de psicólogos, e como nunca houve tantos coachs. Nem tanta solidão. Que zeitgeist.

Os livros de autoajuda em alta no momento em que escrevo se dividem entre os que prometem milagres, e os que aconselham o foda-se. O foda-se é o estoicismo 2.0, no qual todo mundo, de um jeito ou de outro, parece estar buscando refúgio (não consigo ignorar que meu melancólico narrador de um conto escrito em 2011 declara a certa altura da narrativa, quase profético: “minha filosofia é a filosofoda-se”). A psicologia, por sua vez, é a profissão do futuro: é que tá todo mundo quebrado, perdido, sem refletir o suficiente acerca de si (nunca o conselho gravado no pronau do templo de Apolo, em Delfos, foi tão ignorado) e tirando conclusões precipitadas com base em qualquer coisa que reputem conveniente. Quanto aos coachs, são quase uma praga: tem coach pra isso, coach praquilo, coach pra tudo. Há até uma fórmula, se você quiser memorizar: Se P então C, onde P é um problema qualquer, e C é um coach especializado. Já a solidão, verdadeiro tema deste texto, é o grande paradoxo de nossa era. 

É que estamos cercados demais, somos seguidos demais, e o tempo inteiro estamos nos comunicando, mas nunca estivemos tão sós. É, eu sei, esse tipo de afirmação é uma platitude, um cliché de nossos tempos: todo mundo sabe, todo mundo sente, todo mundo já percebeu. Todo mundo tá falando isso. Eu sei. Mas também sei que o que nos cerca são apenas sombras, e estamos todos dentro da caverna: encantandos por sombras, nos sentindo sombra, vivendo como sombra. E nem todo mundo sabe disso, e alguns sabem e simplesmente não se importam, e há até quem acredite, de verdade, que é melhor ser sombra.

Estar presente: como aconselha Buda. Uma lição de duas palavrinhas que, seguida, pode ser a salvação de uma vida, ou de uma geração. Porque menos é mais: menos é mais. E nós esquecemos disso. Qualquer um que esteja cético a esse respeito, que sofra de FoMO syndrome (“medo de estar perdendo algo”) ou qualquer coisa dessa natureza, pode testar por sua própria conta: quem importa não se afastará; as informações importantes chegarão; não haverá nenhuma perda.



Roberto Denser 

Trechos do texto O Grande Paradoxo.

Dando pano pra manga!

28/01/2020       




A gente é que complica! Usamos muito essa expressão quando queremos dizer que um assunto ainda vai render muita discussão, blá blá blá ou mimimi…

Isso veio à minha cabeça porque devo mesmo estar dando muito pano pra manga pra coisas que não precisam. Às vezes, a gente se pega e apega a alguns fatos que que são irrelevantes mas damos uma importância acima do comum.

Cada um com seus problemas!

Ok! Só que quando estamos dentro de uma situação, quando estamos envolvidos, quando existe o nosso total comprometimento, NÃO conseguimos abstrair.

Isso gera incômodo! Aí mora o perigo. Porque aquele sentimento fica remoendo dentro da gente e sentimentos adormecidos voltam à tona. Relembrando antigas feridas. Acabamos entrando ‘na pilha’ dos outros e só fazemos mal a nós mesmos.

A gente não pode dar pano pra manga dos outros! Please!


Bora sair dessa!

Parece difícil, e É! Então, tem que que trabalhar muito a cabeça. Respirar fundo, meditar, ficar zen. Buscar a paz interior e não pirar. Se inspirar em coisas boas.

A palavra certa é resiliência. Ser resiliente.

Não é fácil, nem simples. Mas é a saída. A gente tem que segurar a onda!

Essa foi uma reflexão pessoal e intransferível que decidi compartilhar. Talvez alguém se identifique. Se não, fica uma “auto narrativa”. Um relato de quem está tentando sempre.




"Eu sou pobre de marré dicí..."

27/01/2020       

Num passado não tão remoto, onde a infância era norteada pela inocência e primazia na educação familiar, os brinquedos e brincadeiras enchiam de espiritualidade os recreios e quintais, com evocações a mundos imaginários e lúdicos, em que lugares, pessoas, seres, bichos, assombrações, eram a maior riqueza que as crianças poderiam amealhar na caixa de brinquedos, muitas vezes também imaginária. Tinha um escravo de Jó que era um bravíssimo jogador de caxangá, um coelho que teimava em passar pelo círculo formado por mãozinhas, uma cabra que era cega, tadinha, um anel que todos esperavam escorregar nas mãos postas em estilo mariano, as estátuas humanas formadas depois que se quebrava um corrupio, “passarás... Deixarás passar, carregado de filhinhos para nós criar...”, um cravo que briga com a rosa, uma baleada que deixava todos com manchas roxas pelos braças e pernas, sem contar com a busca da galinha gorda nos açudes: “Gorda é ela! Cadê o sal? Tá na panela! Vamos buscar ela!”. O gato corria louco porque todos atiravam o pau nele e a primeira panela quebrada tinha um sapo dentro. Todas as crianças dormiam de pés sujos de tanto brincarem na frente de casa com seus amigos. Suas mães, sentadas nas calçadas e terreiros, vigiavam-nas com o olhar de uma galinha de pintos e ainda não existia o lobo mau à espreita atrás de uma árvore.

Mas, uma das mais bonitas, significativas, dinâmicas e simbólicas brincadeiras daquele tempo tem a ver com o ofício, a pobreza, a riqueza, a inversão de papéis que a vida dá de graça ao ser humano. É uma cantiga de nome “Mavé Mavé...” ou “Eu sou pobre, ´pobre, pobre...”, conhecida em quase todo o Brasil, principalmente nos estados da faixa litorânea. Estudiosos do assunto a classificam brincadeira de “fileira”, trazidas pelos franceses em remoto tempo e que tem um refrão: “Je m’em vais d’ici”, mas aportuguesado com o passar do tempo para “mavé dicí”, “de mazé dici”, “de marré dici” e outros ainda como o estranho mas não menos belo “de mavé gepê”. Cecília Meirelles (1901 – 1964) conceitua o tema deste canto como “uma reminiscência das antigas cerimônias da escolha da noiva”.


O simbólico ofício, ou trabalho, que é ofertado ao filho doado pela mulher pobre, cujos filhos os tinham quantos na rua coubessem, era escolhido pelo imaginário ingênuo e mágico da mulher rica que não os tinha. Assim, para as meninas escolhiam o ofício de costureira, enfermeira, aeromoça.. E quanto mais exótico fosse o ofício mais exercia seu poder de convencimento para que a mãe pobre lhe entregasse sua cria. Para os meninos era o de motorista, dentista, marinheiro, sapateiro... Neste passado nostálgico muitas adoções foram feitas e muitas profissões sonhadas. Muitas mães pensavam-se ricas por não possuírem filhos, enquanto outras se viam pobres com uma numerosa prole.

Angelo R. Farias.
https://www.youtube.com/watch?v=QMET5KSTn8g

Mulher demais!

23/01/2020       
“Lá está ela… a mulher "demais". A que ama muito, sente profundamente, pergunta com frequência, deseja muito.

Lá está ela, ocupando espaço demais, com sua risada, suas curvas, sua honestidade, sua sexualidade. Sua presença é tão alta quanto uma árvore, tão larga quanto uma montanha. Sua energia ocupa todos os cantos da sala. Espaço demais ela ocupa.

Ela é perigosa.

E lá vai ela, a mulher "demais", fazendo as pessoas pensarem demais, sentirem demais, ficarem tontas demais. Ela, com sua prosa autêntica e uma autoconfiança na maneira que ela se porta. Ela, com suas risadas vindas da barriga e seu apetite insaciável e sua tendência à paixão fogosa. Todos os olhos sobre ela, pensando que ela é foda.

Ah, essa mulher "demais"… barulhenta demais, vibrante demais, honesta demais, emotiva demais, esperta demais, intensa demais, bonita demais, difícil demais, sensível demais, selvagem demais, intimidante demais, bem-sucedida demais, gorda demais, forte demais, política demais, alegre demais, necessitada demais — demais.

Ela deveria baixar a bola um pouco, abaixar o volume. Alguém deveria colocá-la em um lugar mais respeitável. Alguém deveria dizer isso a ela.

Aqui estou eu… uma Mulher Demais, com meu coração suave demais e minhas emoções demais.

Uma hedonista, feminista, buscadora de prazer, empata. Eu quero muito—justiça, sinceridade, espaço, facilidade, intimidade, atualização, respeito, ser vista, ser compreendida, sua atenção exclusiva e que todas as suas promessas sejam mantidas.

Me chamaram de difícil e trabalho porque eu quero o que eu quero, e intimidante por causa do espaço que eu ocupo. Fui chamada de egoísta porque eu me amo. Fui chamada de bruxa porque sei como me curar.

E, ainda,… eu me ergo. Ainda eu quero sentir e perguntar e arriscar e ocupar espaço.

Eu preciso.

Nós, Mulheres Demais, vivemos a exterminação por séculos—temos tanto medo dela, aterrorizados por sua imensa presença, pela maneira que ela comanda respeito e empunha a verdade de seus sentimentos. Há eons tentamos silenciar a Mulher Demais—em nossas irmãs, em nossas esposas, em nossas filhas. E ainda agora, ainda hoje, apontamos o dedo para a Mulher Demais acusando sua grandeza, seu desejo, sua natureza apaixonada.

E, ainda… ela prospera.

Em meu próprio mundo e diante dos meus próprios olhos sou testemunha do resgate e do ressurgimento da Mulher Demais. Essa Mulher Demais também é conhecida por alguns como Mulher Selvagem ou Divindade Feminina. Em todo caso, ela sou eu, ela é você e ela é amável e ela está, finalmente, recebendo a devida atenção.

Se você já foi chamada de "demais" ou "emotiva demais" ou "linguaruda" ou "arrogante", é provável que você seja uma Mulher Demais.

E, se você é… eu imploro que você acolha tudo o que você é—toda a sua profundidade, toda a sua vastidão; não se contenha e nunca abandone a si, nem a sua grandeza nem a sua radiância.

Esqueça tudo o que ouviu—sua demasiadão é um dom; ah sim, o dom de curar, incitar, liberar e chegar direto ao coração das coisas.

Não tenha medo desse dom e não deixe que ninguém o afaste dele. Sua demasiadão é mágica, é medicina. Ela pode mudar o mundo.

Então, por favor, Mulher Demais: Pergunte. Busque. Deseje. Expanda. Mova. Sinta. Seja e Esteja.

Faça suas ondas, assopre suas chamas, nos dê calafrios"... 

Ev'yan Whitney

_________ Ciúmes

22/01/2020       


Oh! Cuidado com o ciúme, meu senhor! Ele é um monstro de olhos verdes, que produz o alimento do qual se nutre! Esse chifrudo vive na alegre embriaguez de quem, tendo certeza de sua adversidade, não ama aquela que o trai; mas oh! que malditos minutos ele conta, esse que ama, mas duvida, mas ama perdidamente!”.

Shakespeare.



Essa conhecida frase da peça Otelo de Shakespeare retrata o cenário da peça. Centrada nas paixões, conflitos e contradições da natureza humana: ciúme e vingança. Não há melhor autor do que Shakespeare para explorar um tema tão comum de todas as épocas e todos os seres humanos: o ciúme.


Segundo as palavras da psicóloga Milena Gonçalves: “o ciúme é o tema que constantemente vem à tona quando falamos sobre relacionamento afetivo, isso porque dentre as mais diferenciadas emoções humanas essa é uma emoção extremamente comum. Todos nós cultivamos certo grau de ciúme e alguns dizem que esse sentimento é necessário em todo relacionamento, porque afinal, quem ama cuida”.

Ainda de acordo com Gonçalves: “O sentimento denominado amor geralmente é acompanhado do ciúme. E o ciúme muitas vezes aparece sob o véu do cuidado, do zelo e da preocupação com a pessoa amada. Quem ama o outro sente a necessidade de fazer com que a pessoa se sinta realmente amada, acolhida, querida e respeitada no relacionamento”.

Existe sim o ciúme em nível normal que tem como função cuidar e proteger da pessoa amada e do pedaço de nós que está depositado nela (o nosso amor, as nossas expectativas, os nossos ideais, sonhos e etc.). Logo, todos nós, alguma vez, em maior ou menor grau já o sentimos.

Já no ciúme patológico há o desejo inconsciente da ameaça de um rival, assim como o desejo obsessivo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do outro. Caracteriza-se por se exagerado, sem motivo aparente que o provoque, deixando o ciumento absolutamente inseguro e transformando-o num tremendo controlador, cerceador da liberdade do outro, podador de qualquer atividade que o parceiro queira fazer sem que ele esteja presente.


Mas o próprio Shakespeare nos põe de alerta contra uma leitura demasiado benevolente do personagem (Otelo), uma vez mais pela boca de Iago: “Não nos cabe ser isso ou aquilo. Nosso corpo é nosso jardim e nossa vontade é o jardineiro. (...) Se a balança da vida não tivesse o prato da razão como contrapeso para o da sensualidade, nosso temperamento e a baixeza de nossos instintos nos levariam às mais desastrosas consequências. Mas nós temos a razão, para arrefecer nossas paixões furiosas, nossos impulsos carnais, nossos desejos desenfreados”.

José Silveira.



A liberdade de escolha.

14/01/2020       


Nos últimos meses, percebi um grande número de post ressaltando que, quem votou no ex presidente Lula, não pode se queixar da situação que o país se encontra, nem cobrar o atual governo. Partindo da (triste) constatação de alguns que o eleitor deve ser atônito frente a política do país pelo fato de ter elegido o candidato X, levanto a questão: Quem votou no Lula, pode reclamar?

Não só pode, como deve.

Todos podem reclamar!

A escolha de um candidato não te faz (ou ao menos não deve fazer) conivente com seus erros e tropeços e, tão pouco, estático frente seus planos de governo. Cada um tem seu critério para a escolha de um candidato, seja ele presidente, governador, deputado ou vereador e, vale ressaltar, que nem sempre são critérios justos e corretos, como:

Ele(a) é carismático(a); Eu acho que ele(a) vai ganhar; É só um voto de protesto; Ele(a) é da minha cidade/estado/igreja e me representa; Ele(a) me arrumou emprego/vaga na escola/lugar no estacionamento/ingressos para shows.

(e tudo isso não foi gerado através de políticas públicas, mas de favores que custam caro, muito caro)

Grosso modo, para escolher um candidato de forma coerente é preciso, minimamente, compreender suas propostas de governo e votar naqueles que conseguem se aproximar dos seus próprios ideais políticos, sem deixar de lado questões coletivas e que envolvam o bem estar de todo um país.

(O que, convenhamos, poucos o fazem)

Não sei se é uma característica da sociedade atual, mas percebo que grande parte das pessoas tendem a produzir uma espécie de maniqueísmo político, pregando e vivendo a filosofia dualística que divide o mundo entre bem e mal. Para estas pessoas, oponentes políticos se assemelham a Deus e ao Diabo, como se eles fossem pontos extremos de uma grande batalha em que o mocinho é perfeito, humilde e sofrido, enquanto o vilão, personagem mau, sem escrúpulos e desonesto.

Tudo isto para dizer que, eu posso reclamar, você pode reclamar, todos podem reclamar.

Mas, mais do que reclamar, nós podemos nos ocupar de votar consciente, pesquisar e saber mais sobre o candidato de nossa escolha,  arcar com responsabilidade como cidadões.

Seres que erram e caem, mas que possuem a chance de questionar seus próprios passos e trilhar novos caminhos independente de uma possível má escolha.

Estes somos nós, nem bons, nem maus, mas bons e maus.

Obs.: Obviamente, as teorias aqui apresentadas são apenas recortes de obras e ideias bastante complexas e que não podem ser explanadas de forma ampla e profunda num único texto.




Páginas: 14