Um olhar demorado.

 
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O "conforto" de fazer o habitual.

15/12/2019       

O conto da vaca.

Mestre e discípulo andavam pela estrada. O caminho era inóspito, agressivo. O ambiente não era favorável à vida. Muitas pedras e montanhas escarpadas de muito pouca vegetação. Avistaram, ao longe, uma casinha de aspecto pobre e humilde, e para lá se dirigiram.

Foram recebidos, hospitaleiramente, pelo dono da casa e sua numerosa família. Foram abrigados, e os residentes, com eles, compartilharam sua escassa comida e seu espaço para dormir. Interrogado pelo mestre, o dono da casa disse que a alimentação provinha de uma única fonte: uma única vaca da qual tiravam leite e seus subprodutos. O excedente era usado para efetuar trocas no povoado mais próximo.
Mestre e discípulo ficaram ali mais alguns dias, e depois partiram. Algumas horas depois da partida, o mestre disse ao discípulo:

- Volte lá, às escondidas, e jogue a vaca no penhasco.

Estupefato, o discípulo argumentou:

- Mestre, como podes me pedir isto? Então não percebes a pobreza de tão numerosa família, e que seu único sustento é a vaca? E, mesmo assim, pedes-me para jogá-la no penhasco?

- Sim - disse o mestre. Jogue a vaca no penhasco.

Desorientado, o discípulo decidiu atender o mestre, no entanto, não conseguia fazê-lo, sem sentir uma enorme culpa. Mesmo assim, o fez pelo mestre.
Alguns anos depois, passavam novamente pelas proximidades, o mestre e o discípulo. Sem nada dizer ao mestre, o discípulo decidiu que faria a expiação, e pediria perdão por ter jogado a vaca do penhasco. Assim, dirigiu-se até lá. Mas, quando chegou, não mais encontrou a pobre casinha em seu lugar. Havia uma construção nova e confortável. As pessoas, que avistou, eram limpas e bem vestidas, o ambiente era de trabalho, e o progresso era evidente. Foi, então, até uma das pessoas e perguntou:

- Há uns dois ou três anos, aqui havia uma pequena e pobre casinha. Saberia me dizer para onde foram aquelas pessoas?

- Somos nós - respondeu o homem.

- Não, refiro-me àquelas pessoas pobres que aqui viviam.

- Somos nós - respondeu ele, novamente.

- Mas, o que aconteceu? - disse, olhando o progresso a sua volta.

- Bem - disse o homem. Aconteceu, numa noite, um terrível acidente, em que nossa vaca, nossa única vaca, caiu do penhasco, e ficamos sem nossa fonte de sustento. Não tivemos outra alternativa, então, a não ser buscar trabalho. Descobrimos, então, nossas próprias capacidades, e as potencializamos. Como resultado, temos hoje uma bonita e confortável casa".

Como o discípulo, podemos ter ficado chocados com a decisão do Mestre de jogar a vaca no penhasco. No entanto, esta história é uma metáfora sobre o que temos a ver com o que nos sentimos muito confortáveis ​​em nossa vida e que, ao mesmo tempo, nos limita.

No momento em que aquela pobre família ficou sem o sustento ao qual se apegaram para sobreviver, não tiveram outro senão procurar alternativas. Mas, em vez de descobrir mais pobreza, encontraram uma maneira de prosperar, algo que nunca haviam imaginado. Se a vaca nunca tivesse desaparecido de suas vidas, eles continuariam a viver na pobreza, sem sair, sem acreditar que poderiam ir mais longe.

Muitas pessoas agradecem que existam momentos em sua vida que, apesar de dolorosos e difíceis, os forçam a sair daquela zona de conforto onde se instalaram e permaneceram presos. Os seres humanos procuram segurança, conforto, aquilo que não nos faz sentir incertos. Mas, quando tudo isso desmorona, descobrimos habilidades e qualidades que nunca havíamos imaginado. Eles estavam dormindo.